Declaração final da Cúpula dos Povos na Rio+20
Mundo
Sábado, 23 de Junio de 2012

Cúpula dos Povos Rio+20.- O documento final da Cúpula dos povos sintetiza os principais eixos discutidos durante as plenárias e assembléias, assim como expressam as intensas mobilizações ocorridas durante esse período – de 15 a 22 de junho – que apontam as convergências em torno das causas estruturais e das falsas soluções, das soluções dos povos frente às crises, assim como os principais eixos de luta para o próximo período.

As sínteses aprovadas nas plenárias integram e complementam este documento político para que os povos, movimentos e organizações possam continuar a convergir e aprofundar suas lutas e construção de alternativas em seus territórios, regiões e países em todos os cantos do mundo.

Você também pode ler a carta aqui (em pdf).http://cupuladospovos.org.br/wp-content/uploads/2012/06/Carta-final_Cupula-dos-Povos.pdf

Declaração final en pdf.

Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental

Em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida

Movimentos sociais e populares, sindicatos, povos, organizações da sociedade civil e ambientalistas de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, vivenciaram nos acampamentos, nas mobilizações massivas, nos debates, a construção das convergências e alternativas, conscientes de que somos sujeitos de uma outra relação entre humanos e humanas e entre a humanidade e a natureza, assumindo o desafio urgente de frear a nova fase de recomposição do capitalismo e de construir, através de nossas lutas, novos paradigmas de sociedade.

A Cúpula dos Povos é o momento simbólico de um novo ciclo na trajetória de lutas globais que produz novas convergências entre movimentos de mulheres, indígenas, negros, juventudes, agricultores/as familiares e camponeses, trabalhadore/as, povos e comunidades tradicionais, quilombolas, lutadores pelo direito a cidade, e religiões de todo o mundo. As assembléias, mobilizações e a grande Marcha dos Povos foram os momentos de expressão máxima destas convergências.

As instituições financeiras multilaterais, as coalizações a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferencia oficial. Em constraste a isso, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos fortaleceram a nossa convicção de que só o povo organizado e mobilizado pode libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro.

Há vinte anos o Fórum Global, também realizado no Aterro do Flamengo, denunciou os riscos que a humanidade e a natureza corriam com a privatização e o neoliberalismo. Hoje afirmamos que, além de confirmar nossa análise, ocorreram retrocessos significativos em relação aos direitos humanos já reconhecidos. A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global. À medida que essa crise se aprofunda, mais as corporações avançam contra os direitos dos povos, a democracia e a natureza, sequestrando os bens comuns da humanidade para salvar o sistema economico-financeiro.

As múltiplas vozes e forças que convergem em torno da Cúpula dos Povos denunciam a verdadeira causa estrutural da crise global: o sistema capitalista patriarcal, racista e homofobico.

As corporações transnacionais continuam cometendo seus crimes com a sistematica violação dos direitos dos povos e da natureza com total impunidade. Da mesma forma, avançam seus interesses através da militarização, da criminalização dos modos de vida dos povos e dos movimentos sociais promovendo a desterritorialização no campo e na cidade.

Da mesma forma denunciamos a divida ambiental histórica que afeta majoritariamente os povos oprimidos do mundo, e que deve ser assumida pelos países altamente industrializados, que ao fim e ao cabo, foram os que provocaram as múltiplas crises que vivemos hoje.

O capitalismo também leva à perda do controle social, democrático e comunitario sobre los recursos naturais e serviços estratégicos, que continuam sendo privatizados, convertendo direitos em mercadorias e limitando o acesso dos povos aos bens e serviços necessarios à sobrevivencia.

A dita “economia verde” é uma das expressões da atual fase financeira do capitalismo que também se utiliza de velhos e novos mecanismos, tais como o aprofundamento do endividamento publico-privado, o super-estímulo ao consumo, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras e as parcerias público-privadas, entre outros.

As alternativas estão em nossos povos, nossa historia, nossos costumes, conhecimentos, práticas e sistemas produtivos, que devemos manter, revalorizar e ganhar escala como projeto contra-hegemonico e transformador.

A defesa dos espaços públicos nas cidades, com gestão democrática e participação popular, a economia cooperativa e solidaria, a soberania alimentar, um novo paradigma de produção, distribuição e consumo, a mudança da matriz energética, são exemplos de alternativas reais frente ao atual sistema agro-urbano-industrial.

A defesa dos bens comuns passa pela garantia de uma série de direitos humanos e da natureza, pela solidariedade e respeito às cosmovisões e crenças dos diferentes povos, como, por exemplo, a defesa do “Bem Viver” como forma de existir em harmonia com a natureza, o que pressupõe uma transição justa a ser construída com os trabalhadores/as e povos.

Exigimos uma transição justa que supõe a ampliação do conceito de trabalho, o reconhecimento do trabalho das mulheres e um equilíbrio entre a produção e reprodução, para que esta não seja uma atribuição exclusiva das mulheres. Passa ainda pela liberdade de organização e o direito a contratação coletiva, assim como pelo estabelecimento de uma ampla rede de seguridade e proteção social, entendida como um direito humano, bem como de políticas públicas que garantam formas de trabalho decentes.

Afirmamos o feminismo como instrumento da construção da igualdade, a autonomia das mulheres sobre seus corpos e sexualidade e o direito a uma vida livre de violência. Da mesma forma reafirmamos a urgência da distribuição de riqueza e da renda, do combate ao racismo e ao etnocídio, da garantia do direito a terra e território, do direito à cidade, ao meio ambiente e à água, à educação, a cultura, a liberdade de expressão e democratização dos meios de comunicação.

O fortalecimento de diversas economias locais e dos direitos territoriais garantem a construção comunitária de economias mais vibrantes. Estas economias locais proporcionam meios de vida sustentáveis locais, a solidariedade comunitária, componentes vitais da resiliência dos ecossistemas. A diversidade da natureza e sua diversidade cultural associada é fundamento para um novo paradigma de sociedade.

Os povos querem determinar para que e para quem se destinam os bens comuns e energéticos, além de assumir o controle popular e democrático de sua produção. Um novo modelo enérgico está baseado em energias renováveis descentralizadas e que garanta energia para a população e não para as corporações.

A transformação social exige convergências de ações, articulações e agendas a partir das resistências e alternativas contra hegemônicas ao sistema capitalista que estão em curso em todos os cantos do planeta. Os processos sociais acumulados pelas organizações e movimentos sociais que convergiram na Cúpula dos Povos apontaram para os seguintes eixos de luta:

- Contra a militarização dos Estados e territórios;

- Contra a criminalização das organizações e movimentos sociais;

- Contra a violência contra as mulheres;

- Contra a violência as lesbicas, gays, bissexuais, transexuais e transgeneros;

- Contra as grandes corporações;

- Contra a imposição do pagamento de dívidas econômicas injustas e por auditorias populares das mesmas;

- Pela garantia do direito dos povos à terra e território urbano e rural;

- Pela consulta e consentimento livre, prévio e informado, baseado nos princípios da boa fé e do efeito vinculante, conforme a Convenção 169 da OIT;

- Pela soberania alimentar e alimentos sadios, contra agrotóxicos e transgênicos;

- Pela garantia e conquista de direitos;

- Pela solidariedade aos povos e países, principalmente os ameaçados por golpes militares ou institucionais, como está ocorrendo agora no Paraguai;

- Pela soberania dos povos no controle dos bens comuns, contra as tentativas de mercantilização;

- Pela mudança da matriz e modelo energético vigente;

- Pela democratização dos meios de comunicação;

- Pelo reconhecimento da dívida histórica social e ecológica;

- Pela construção do DIA MUNDIAL DE GREVE GERAL.

Voltemos aos nossos territórios, regiões e países animados para construirmos as convergências necessárias para seguirmos em luta, resistindo e avançando contra os sistema capitalista e suas velhas e renovadas formas de reprodução.

Em pé continuamos em luta!

Rio de Janeiro, 15 a 22 de junho de 2012.

Cúpula dos Povos por Justiça Social e ambiental em defesa dos bens comuns, contra a mercantilização da vida.

Comentarios (0)

Escribir comentario

corto | largo

busy
 

Mundo

Nacer en desventaja

Nacer en desventaja

Fran Araújo - ALAI.- Si el día en el que nace su hijo le comunican que tendrá que sufrir una discriminación constante, que tiene un porcentaje de posibilidades bastante alto de ser maltratado física...

Read more
Organización catalana de solidaridad con Cuba entrega tonelada de harina a Banco de Alimentos local

Organización catalana de solidaridad con Cuba entrega tonelada de harina a Banco de Alimentos local

Mollet amb Cuba - Cubainformación.- Mollet amb Cuba ha hecho efectivo su compromiso al que llegó públicamente en nuestra cena anual solidario con Cuba.

Read more
La intolerable situación del Guantánamo de Obama

La intolerable situación del Guantánamo de Obama

Marjorie Cohn – CounterPunch.-Más de 100 de los 166 detenidos en Guantánamo se están dejando morir de hambre. 33 de ellos están siendo alimentados a la fuerza. “Te atan con correas a una silla sujet...

Read more
El Gobierno español devuelve a su pueblo a la época de la dictadura fascista

El Gobierno español devuelve a su pueblo a la época de la dictadura fascista

En España se celebró la primera huelga general de la educación pública contra los recortes. Entre la juventud española hay opiniones de que lo que hace el Ejecutivo del Partido Popular en el sector ...

Read more
Promesas, poder y pobreza: transacciones de tierras y las mujeres rurales en África

Promesas, poder y pobreza: transacciones de tierras y las mujeres rurales en África

Informe Oxfam - Periodismo Humano.- Una mujer que perdió parte de sus tierras a manos de una gran empresa muestra a los investigadores de Oxfam algunos de los vegetales que cultiva en el terreno que...

Read more
EE.UU. prepara planes para eventual división de Siria en partes rivales

EE.UU. prepara planes para eventual división de Siria en partes rivales

Estados Unidos estudia la posibilidad de que el país árabe se divida tras el conflicto en varias partes que combatirán entre sí, según algunos oficiales involucrados en el plan. Fuente:ActualidadRT....

Read more
Siria pide apoyo internacional contra agresión de Israel

Siria pide apoyo internacional contra agresión de Israel

El gobierno de Siria pide apoyo internacional frente a la agresión israelí y afirma que el reciente ataque abre la puerta a todas las posibilidades y desenmascara "el tamaño de la vinculación existe...

Read more
El mundo en 2030

El mundo en 2030

Ignacio Ramonet – Cubadebate.- Cada cuatro años, con el inicio del nuevo mandato presidencial en Estados Unidos, el National Intelligence Council (NIC), la oficina de análisis y de anticipación geop...

Read more
Izquierda francesa marcha contra la austeridad

Izquierda francesa marcha contra la austeridad

Cubadebate.- La izquierda más radical de Francia mostró este domingo sus fuerzas en una manifestación en París en la que pidió el final de la austeridad y un giro progresista a la política. La activ...

Read more

Lo último

19 de Mayo // 07:00
hipocrita-union-europea-sancionar-el-humanismo-de-cuba-armar-a-terroristas-en-siria Fragmento de la tertulia del programa de Cubainformación radio
19 de Mayo // 06:33
cuba-dedica-jornada-de-lucha-contra-la-homofobia-a-la-familia El pasado viernes 17 de mayo se celebró el Día Mundial contra la Homofobia y la Transfobia. Y es en esta materia en que Cuba ha mostrado[...]
19 de Mayo // 06:28
jovenes-y-musica-de-concierto-en-cubadisco Como cada año, la Feria Internacional Cubadisco acoge un intenso programa de actividades. En esta ocasión la gran fiesta de la discografía[...]
Banner

La columna

La doble moral de Estados Unidos

News image

Por Manuel E. Yepe*/Foto Virgilio Ponce -Martianos-Hermes-Cubainformación.- Estados Unidos, la superpotencia única del planeta desde que finalizó la guerra fría, la que por más de medio siglo bloquea el desarrollo de su vecina isla de Cuba acusándola de indemostrables violaciones de los derechos humanos, tiene vigente una ley federal según la cual toda entidad o empresario estadounidense o con intereses en ese país que apoye un boicot por ese mismo motivo contra Israel será encarcelado o severamente multado.

Manuel E. Yepe | Sábado, 18 Mayo 2013

Revista

Lo + leido
Recomendamos